21/11/2015

Ciclo completo da Polícia Militar Compromisso de defender a sociedade POR GERCY JOAQUIM CAMÊLO

MATÉRIA (NA ÍNTEGRA) VEÍCULADA NO JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ EDIÇÃO DE 19 DE NOVEMBRO DE 2015

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Ciclo completo da Polícia Militar

Compromisso de defender a sociedade

POR GERCY JOAQUIM CAMÊLO

19/11/2015 ÀS 23:49 PM

iclo completo da Polícia Militar, a despeito do pensamento alguns, será um avanço para a melhoria da segurança pública e para o fortalecimento da frágil democracia brasileira. Não me causa nenhuma surpresa a posição de determinadas autoridades que, por uma questão ideológica e preconceituosa, sempre se manifestam contra os militares, especialmente os estaduais. Essas pessoas não se preocupam com o povo, pensam apenas nos seus interesses particulares e grupais. Portanto, não merecem ser levadas em considerações. Afirmar que o ciclo completo de polícia militar, vai contribuir para o aumento da criminalidade, é no mínimo tentar subestimar a inteligência do povo.

Me causa surpresa, também, a reação de dirigentes de entidades representativas de policiais civis contra o ciclo completo de polícia militar, alegando que a Corporação Militar não dispõem estrutura física para receber a demanda de presos e detidos. Será que a Co-irmã Civil está melhor estruturada? A impressão que tenho é que as duas Polícias, Civil e Militar, precisam melhorar muito as suas estruturas físicas para atenderem melhor as pessoas. Na tentativa de desqualificar a Polícia Militar, alguns líderes classistas da Co-irmã Civil, afirmam ainda que, se houver mudança, a população não será bem recebida nos quartéis, como se os policiais militares tivessem a tradição de tratar mal as pessoas em seus quartéis. Pelo contrário, não existe nenhuma categoria de servidor público do Estado que recebe melhor do que os policiais militares. Pessoas mal educadas e inconvenientes existem em todos  os lugares. O problema não está nas estruturas físicas dos quartéis e das delegacias, e sim no desvio de conduta de alguns servidores civis e militares.

Outra coisa que também me chamou atenção foi a reação contrária de lideranças da Co-Irmã Civil à proposta de ciclo completo de polícia. Apenas para lembrar, não faz muito tempo, em Goiás, grande parte das delegacias do interior, eram dirigidas por delegados policiais militares e ninguém reclamava, pelo contrário, aplaudiam. Os motivos da utilização dos militares naquela época, são os mesmos de hoje, falta de efetivo à Polícia Civil. É importante citar que as pesquisas têm mostrado que menos de 10% dos crimes são apurados no Estado. Essa é uma prova contundente de que algo precisa ser feito. Com a Polícia Militar fazendo o ciclo completo vai ajudar muito na elucidação dos crimes e na celeridade dos Inquéritos Policiais, caso esses não sejam excluídos com a reforma do sistema de segurança pública. Polícia nenhuma deve colocar os seus interesses corporativos acima dos interesses da sociedade. A luta das polícias deve ser por uma causa, a manutenção da ordem pública. É isso que a sociedade espera de cada Corporação, independente da cor do uniforme que usam. Penso que a melhor atitude que as Polícias devem fazer é se juntarem, e com os mesmos objetivos, cobrarem condições para servirem melhor a sociedade.

O Brasil, infelizmente, está entre os países mais violentos do mundo. É o 11º onde mais se mata. Ocupa posição de destaque entre os que mais cometem violência contra a mulher. Se destaca na prática dos crimes de trânsito, na violência nos presídios e no assassinato de jovens. Não me parece justo culpar quem quer que seja pelo alto índice de violência no País. A violência não têm dono, é social, é generalizada, é crônica, é de difícil solução. Não será culpando e nem criticando as Polícias que se vai resolver esse grave problema. A solução para melhorar a segurança pública no Brasil, inevitavelmente, passa por mudanças profundas no sistema político-administrativo do País, coisa que os políticos não gostam nem de ouvir. O País está atolado na burocracia que trava o seu desenvolvimento, em todas as áreas da administração pública. Mas os políticos, com poucas exceções, não estão preocupados com o Brasil, estão focados nos seus interesses particulares e grupais. O povo que se dane nas garras dos criminosos.

Como cidadão brasileiro, eu sou apaixonado pelo regime democrático. O Brasil já experimentou vários períodos de regimes de exceção. Todos eles, cada um ao seu tempo, tiveram as suas razões, cujo mérito ou demérito, não vou aqui me manifestar. Hoje, mesmo considerada frágil, vivemos a democracia, mesmo manchada pela desordem, pela corrupção, pela impunidade e pela violência. Apesar de tantos problemas graves que o País enfrenta, ainda assim têm autoridades brigando por espaços e dificultando as mudanças que precisam ser feitas. Julgo ainda pior a conduta daqueles que, maldosamente, tentam culpar os militares estaduais pelo aumento da criminalidade no País. Contrariando esses preconceituosos de plantão, afirmo com plena convicção que, nenhuma organização pública deste País respeita e defende os direitos humanos melhor do que os policiais militares. Esses abnegados profissionais, apesar de serem incompreendidos, são os únicos alcançáveis pela população na hora do apuro, em todo o território nacional. Se os policiais militares fossem contagiáveis pela desmotivação que toma conta da sociedade, estaríamos todos irremediavelmente perdidos. A nossa esperança é que a formação da caserna e o espírito público desses servidores, não lhes permitem abandonar o compromisso que assumiram, de defender a sociedade, ainda que fosse com o sacrifício da própria vida. O policial militar não luta por aplauso, luta por uma causa, a causa social.

 (Gercy Joaquim Camêlo, governador do Rotary International, Distrito 4530, Gestão 2012/2013)